Sôryo (僧侶) – Somos mesmo “monges” do Budismo Shin?

Há uma grande controvérsia sobre a denominação do que erroneamente, dentro da nossa tradição do Budismo Shin, é chamado de monge.

É de conhecimento geral que a palavra não é adequada, mas na falta de nomenclatura melhor, e pela crescente difusão do Budismo no ocidente, usa-se a palavra monge e monja indiscriminadamente.

Segundo um dicionário on-line (http://www.dicio.com.br), monge significa: “s.m. Homem que faz votos religiosos e se retira da vida mundana para viver com outros monges. Inicialmente, o termo se referia a pessoas que viviam completamente sós a fim de se devotarem à religião. Essas pessoas também eram chamadas de eremitas, que é o termo ainda utilizado para esse caso”.

A palavra “monge” designa o termo Bhikkhu (língua pali) ou Bhiksu (sânscrito). Sendo o equivalente Bhikkhuni (pali) e Bhiksuni (sânscrito) para denominar a monja.

Portanto, o monge assim como a monja eram na época do Buda Shakyamuni, integrantes do Sangha, junto com os Upāsaka (membro leigo) e Upāsikā (leiga) e os Samanera (noviços) e Samaneri (noviças).

No Japão, a palavra Sangha teve sua transliteração para 僧伽 (Sôga), sendo que o primeiro kanji 僧 (sô) equivale a Bhikkhu ou Bhiksu. E o segundo kanji 伽 (ga) significa confidente, aquele que consola, atende ou assiste noite e dia, companheiro de pernoite.

É justamente da palavra僧伽 (Sôga=Sangha) que deriva a palavra japonesa僧侶(Sôryo), usada para designar aqueles que através da Ordenação Plena (得度 Tokudo), abraçam o compromisso de servir na difusão do Ensinamento, do Dharma, levando uma vida junto à comunidade, ao Sangha.

僧侶 (Sôryo) é resultado da junção dos kanjis 僧 (sô) que significa monge e 侶 (ryo) que tem o sentido de juntos, pessoa com pessoa, acompanhante, todos na mesma comunidade. A melhor interpretação seria algo como “aqueles que vivem atendendo as necessidades junto à comunidade” (assim como os monges).

Portanto, 僧侶 (Sôryo) seria a melhor palavra para nos designar, “monges” do Budismo Shin, que têm o compromisso com o Buda como Mestre, que vivem pelos Ensinamentos (Dharma), para vivenciá-los e difundi-los na Comunidade (Sangha).

Somos Sôryos enquanto ordenados por uma instituição tradicional, seguidores de uma hierarquia de Mestres que nunca romperam com os Ensinamentos do Buda, e atuamos assim como os Bhikkhus no que tange em servir o Dharma, realizar as práticas e ensinar junto à comunidade.