As Mulheres no Shinshu

Segundo a revista “Shinshu” abril/2010, atualmente no Japão, 106 mulheres atuam como “Jûshoku”(aquele que assume o cargo de monge residente), ou seja, são monjas à frente de um templo. Desde 1991 as mulheres tiveram reconhecimento da nossa Ordem Shinshû Otani-ha para atuarem como superioras de um templo assim como os homens. Até então, tradicionalmente as mulheres se restringiam a papéis elementares dentro de um templo budista. São as “Bô-mori”(ao pé da letra, aquela que vela e protege o monge e o templo). Se no templo não há filhos varões para a sucessão, a filha pode se casar com um monge, o qual adotará o sobrenome da família da esposa e assim herdar o templo. Em síntese, não se cogitava a possibilidade da mulher suceder o templo.

No Brasil, não há a figura do “Jûshoku”, os monges ordenados pela Matriz em Kyoto recebem o título de “Kaikyôshi” ou missionários, por atuarem no Japão além-mar. Para tanto possuem grau de Mestre e recebem uma concessão e uma qualificação específica.

Mas, enquanto no Japão surpreendemo-nos com o aumento de monjas superioras de templo, aqui no Brasil, temos um exemplo vanguardista. Trata-se da Reverenda Kaoru Yasoyama (Shaku-ni Ju-myô), que ficou à frente do templo de Cianorte no Paraná desde sua fundação em 1968 até pouco antes de seu falecimento em 2006.

Ela era tão querida pelos membros de sua comunidade, que até mesmo os mais antigos, chamavam-na de “Bá-tyan” (forma carinhosa de vovó).

Foi um exemplo para todos nós de dedicação total para a divulgação do Budismo no Brasil.